domingo, 10 de abril de 2011

GOVERNO DILMA

imagemCrédito: PCB


Revoltas operárias nos canteiros do PAC indicam caminho da luta

Ricardo Costa – Comitê Central do PCB

Os primeiros meses do Governo Dilma só vêm demonstrar a correção da tática proposta pelo PCB no segundo turno das eleições presidenciais de 2010: após a derrota de Serra nas urnas, será preciso organizar e mobilizar os trabalhadores brasileiros para derrotar Dilma nas ruas.

Dilma adotou o lema “País rico é país sem miséria”, projetando a erradicação da miséria como principal meta de seu governo. Claro está tratar-se de mera peça de propaganda, já que a política econômica posta em prática, mantidas as bases traçadas por Lula, é a do franco favorecimento às atividades promovidas pelo agronegócio, grandes indústrias e bancos, visando à continuidade da política de integração da economia brasileira à ordem capital-imperialista mundial. Apesar de subalterna, tal integração se dá de forma complexa e dinâmica, com o país assumindo também o papel de exportador de capitais, ao menos no cenário da América Latina e de outras regiões periféricas ao centro do capitalismo. Sem a providencial ajuda do Estado brasileiro, principalmente através do BNDES, não seria possível alavancar o capitalismo nacional, cuja burguesia estreita cada vez mais seus laços com as empresas multinacionais.

A depender do que sinaliza Dilma em suas primeiras ações, a política voltada a atender prioritariamente as vontades e necessidades do Deus Mercado seguirá seu curso. A opção por um salário mínimo de R$ 545,00 (praticamente 0% de reajuste, em termos reais) revela uma vez mais a força do capital financeiro na definição dos rumos da economia brasileira. Sob os argumentos de combate ao “retorno da inflação” e ao desequilíbrio das contas públicas, a medida, associada ao anúncio do corte de R$ 50 bilhões no orçamento (atingindo, como sempre, as despesas com investimentos na área social) e o aumento das taxas de juros, busca jogar sobre as costas dos trabalhadores todo o peso dos efeitos advindos da ação sem controle do capital nacional e internacional.

Faltou dizer, por exemplo, que a mais recente alta dos preços foi provocada centralmente pela pressão do mercado mundial de produtos alimentícios, controlado por oligopólios transnacionais. O modelo agrário brasileiro, centrado na promoção do agronegócio, faz com que o Brasil seja um dos maiores importadores de agrotóxicos do mundo e totalmente dependente do mercado externo.

Ao contrário do que alguns articulistas de esquerda apregoaram, não há uma inversão da política desenvolvida antes por Lula, como se Dilma estivesse voltando a adotar “práticas neoliberais” que teriam sido abandonadas por Lula. Nem uma coisa nem outra. Lula deu continuidade à política macroeconômica da era FHC, aplicando apenas uma política compensatória mais agressiva. Dilma segue a cartilha de Lula, com a diferença de que porá o pé no freio em relação aos gastos sociais. Mas isto não é novidade alguma: Lula fez o mesmo em 2003, desacelerando o plano de crescimento, para fazer caixa e depois abrir o cofre nos últimos anos de seu mandato.

Se a economia brasileira cresceu a uma taxa recorde de 7,5% em 2010, conforme anunciado pelo IBGE, alçando o país ao posto de sétima economia do mundo, a desigualdade social aprofundou-se, como não podia deixar de ocorrer numa nação em que as relações capitalistas tornaram-se dominantes em todos os setores da vida econômica e social. Por conta disso, o Brasil ocupa hoje a 70ª posição no ranking mundial do IDH (Índice do Desenvolvimento Humano).

É fato que novos ataques virão sobre os direitos dos trabalhadores. O ministério de Dilma é quase uma repetição do gabinete de Lula, mantidas as disputas fisiológicas entre os partidos da base aliada, com destaque para as representações do PT e do PMDB e, secundariamente, as do PCdoB, PDT, PSB e PP. Não haverá mudanças, pois, em relação à tendência de privatização dos serviços públicos, como a Saúde, a Seguridade Social e a Educação. É revelador da primazia dos interesses de mercado sobre os interesses públicos a suspensão de concursos públicos para contratação de novos servidores e o adiamento da nomeação de 40 mil servidores já selecionados. Além disso, os cortes anunciados no orçamento atingem diretamente programas nas áreas do meio ambiente e da moradia, justamente quando as fortes chuvas de verão provocaram catástrofes de grandes proporções, matando centenas de pessoas e deixando milhares de desabrigados em várias regiões do país, evidenciando a tragédia da ocupação irregular do solo, da falta de planejamento e total ausência de participação popular nas cidades.

No setor do petróleo, o eterno ministro Edison Lobão (do PMDB do Maranhão), capacho de Sarney, já anunciou a retomada dos leilões dos campos de petróleo e de áreas de exploração no pré-sal, mantendo a política de dilapidação dos recursos naturais brasileiros, no momento em o presidente Barack Obama dos Estados Unidos reafirma para o mundo a intenção de recuperar a primazia dos interesses do império estadunidense e de suas empresas no mercado global, dando provas desta intenção ao mandar bombardear a Líbia, precisamente quando estava em visita ao Brasil.

No âmbito da política externa, o governo Dilma é mais consequente que Lula na disposição em favorecer o processo de expansão do capitalismo monopolista brasileiro na América Latina, de que é sintomática a clara atitude de voltar a priorizar as relações com os EUA, em detrimento do intercâmbio privilegiado, também marcado por interesses dos grandes capitalistas brasileiros, com os governos da região mais preocupados em atender as demandas sociais internas. A decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Antônio Cezar Peluso, não contestada por Dilma, da recusa em libertar Cesare Battisti após decisão de Lula pela não extradição do militante revolucionário italiano, demonstra com precisão a tendência mais conservadora deste governo. Este ainda preserva, sem nenhuma indicação de que tal política será alterada, a presença das tropas brasileiras no Haiti.

Crescem, portanto, os desafios da classe trabalhadora neste ano de 2011. O recrudescimento da crise internacional do capitalismo deverá encontrar no Brasil um governo não mais disposto a liberar crédito para aumentar o consumo (na verdade, uma política de endividamento crescente da população e de cooptação das camadas populares para a ilusória sensação de melhoria das condições de vida).

Os primeiros meses do governo Dilma foram também demonstrativos da crescente insatisfação de diversos grupos sociais. Manifestações de estudantes e de trabalhadores em protesto contra a elevação dos preços das passagens de ônibus em várias cidades do Brasil, nas quais a violência policial sempre se faz sentir, refletem a indignação da população urbana com os péssimos e cada vez mais caros serviços de transportes, controlados pelos cartéis e oligopólios dos transportes. Foruns populares em todo o país debatem a situação da saúde pública e organizam mobilizações contra o processo de privatização, iniciativas que se estendem à área da educação, envolvendo os sindicatos dos professores e as representações de alunos, pais e funcionários.

Trabalhadores da construção civil reagem às condições abjetas de superexploração e semiescravidão impostas pelas empreiteiras – empresas multinacionais, como a Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Mendes Júnior e outras – nas obras do PAC, o Plano de Aceleração do Capitalismo, um dos maiores programas de transferência de verbas públicas para as mãos do grande capital (são 21 obras com despesas previstas em mais de R$ 105,6 bilhões desde o início do programa, em 2008). Os trabalhadores vão à luta contra os salários de fome, o não pagamento de horas extras, as péssimas condições de trabalho e a repressão da parte dos seguranças e forças policiais locais, verdadeiros capangas armados a serviço dos capitalistas.

Mais de 80 mil trabalhadores já cruzaram os braços nas obras espalhadas pelo Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país: Usina de Jirau (Rondônia), onde alojamentos, 50 ônibus, veículos e escritórios da empresa foram incendiados pela massa em revolta; Hidrelétrica de Santo Antônio (também no rio Madeira, em Rondônia); Hidrelétrica São Domingos (Mato Grosso do Sul), em que trabalhadores também tocaram fogo nos alojamentos; Complexo do Suape, reunindo a Refinaria Abreu e Lima e a Petroquímica (Pernambuco), onde 30 mil operários entraram em greve; Termelétrica de Pecém (Ceará), com 6 mil trabalhadores parados; Ponte sobre o Rio Madeira (Rondônia), com 300 grevistas. Além disso, em diversas regiões, o Programa Minha Casa, Minha Vida sofre paralisações com cerca de sete mil operários da construção civil recusando-se a trabalhar nas condições impostas.

As centrais sindicais governistas foram chamadas a conter o ânimo dos trabalhadores, pois o medo do governo, tendo o Ministro da Casa Civil, Gilberto Carvalho à frente como mediador do conflito, é a explosão de revoltas espalhar-se pelo conjunto de obras do PAC, que empregam cerca de um milhão de operários. Manter aceso o rastilho de pólvora iniciado na Usina de Jirau pode significar uma crise sem precedentes para um governo que quer transformar o Brasil numa grande UPP e garantir a “paz social” necessária ao desenvolvimento pleno do capitalismo monopolista.

Para o PCB, é hora de dar um salto de qualidade na busca da unidade dos movimentos populares, das forças de esquerda e entidades representativas dos trabalhadores, no caminho da formação de um bloco proletário capaz de contrapor à hegemonia burguesa uma real alternativa de poder popular em nosso país. A criação de uma Frente Anticapitalista e Anti-imperialista, com vistas à construção de um poderoso sistema de alianças capaz de dar vez e voz aos produtores da riqueza, é um dos caminhos para a luta contra os imperativos do capital e pela edificação da sociedade socialista em nosso país.

LITERATURA MARXISTA

MARX (Karl Heinrich Marx)
  • A Companhia das Índias Orientais: sua história e as conseqüências de sua atividade – [BAIXAR]
    • A Dominação Britânica na India – [BAIXAR]
    • A Guerra Anglo-Persa – [BAIXAR]
    • A Guerra Contra a Pérsia – [BAIXAR]
    • A Ideologia Alemã – [BAIXAR]
    • A Revolução na China e na Europa – [BAIXAR]
    • Capital: A Critique of Political Economy – Volume I – [BAIXAR]
    • Capital: A Critique of Political Economy – Volume II – [BAIXAR]
    • Capital: A Critique of Political Economy – Volume III – [BAIXAR]
    • Carta a Annenkov – [LER]
    • Carta a Wilhelm Bracke – [BAIXAR]
    • Comentários Marginais ao Programa do Partido Operário Alemão – [BAIXAR]
    • Crítica ao Programa de Gotha – [BAIXAR]
    • Crítica da Filosofia do Direito de Hegel – [BAIXAR]
    • Deslocamentos do Centro de Gravidade Mundial – [BAIXAR]
    • Glosas Críticas Marginais ao Artigo “O Rei da Prússia e a Reforma Social. De um Prussiano” – [BAIXAR]
    • Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel – [LER]
    • Manifesto Comunista – [BAIXAR]
    • Manuscritos Econômicos de Marx de 1861 a 1863 – [BAIXAR]
    • Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas – [BAIXAR]
    • O Capital – Parte I – Capítulo 1: A Mercadoria – [BAIXAR]
    • O Capital – Parte III – Capítulo 7: Processo de Trabalho e Processo de Produção de Mais-Valia – [BAIXAR]
    • O Dezoito de Brumário de Louis Bonaparte – [BAIXAR]
    • O Dezoito de Brumário de Luis Bonaparte – [BAIXAR]
    • O Tratado Persa – [BAIXAR]
    • Os Resultados Eventuais da Dominação Britânica na India – [BAIXAR]
    • Para uma Crítica da Economia Política – [BAIXAR]
    • Salário, Preço e Lucro – [BAIXAR]
    • Sobre a Comuna – [BAIXAR]
    • Teses sobre Feuerbach – [BAIXAR]
    • Teses sobre Feuerbach – [BAIXAR]
    • The Eighteenth Brumaire of Louis Bonaparte – [BAIXAR]
    • Uma Contribuição para a Crítica da Economia Política – [BAIXAR]
  • ENGELS (Friedrich Engels)
    • A Pérsia e a China – [BAIXAR]
    • Anti-Dühring – [BAIXAR]
    • Anti-Dühring – [BAIXAR]
    • Carta a Augusto Bebel – [BAIXAR]
    • Carta a Karl Kautsky – [BAIXAR]
    • Dialéctica de la Naturaleza – [BAIXAR]
    • Del Socialismo Utópico al Socialismo Cientifico – [BAIXAR]
    • Do Socialismo Utópico ao Socialismo Cientifico – [BAIXAR]
    • Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico – [BAIXAR]
    • Manifesto Comunista – [BAIXAR]
    • Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas – [BAIXAR]
    • Prefácio à Edição de 1895 da Crítica do Programa de Gotha – [BAIXAR]
    • Principios del Comunismo – [BAIXAR]
    • Sobre a Autoridade – [BAIXAR]
    • Sobre a Comuna – [BAIXAR]
    • Sobre o Papel do Trabalho na Transformação do Macaco em Homem – [BAIXAR]
    • Um Salário Justo Para Umha Jornada de Trabalho Justa – [BAIXAR]
  • LÊNIN (Vladimir Ilitch Ulianov, Lênin)
    • A Respeito do Problema das Nacionalidades ou sobre a “Autonomizaçom” – [BAIXAR]
    • A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky – [LER]
    • As Três Fontes e as Três Partes Constitutivas do Marxismo – [BAIXAR]
    • Carta a Um Camarada – [BAIXAR]
    • Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo – [BAIXAR]
    • Friederich Engels – [BAIXAR]
    • Karl Marx: Breve Esboço Biográfico Seguido de uma Exposição do Marxismo – [BAIXAR]
    • O Estado – [BAIXAR]
    • O Estado e a Revolução – [BAIXAR]
    • O Imperialismo, Etapa Superior do Capitalismo – [BAIXAR]
    • O Oportunismo e a Falência da II Internacional – [BAIXAR]
    • Para a Memória da Comuna – [BAIXAR]
    • Por onde começar? – [BAIXAR]
    • Que Fazer? – [BAIXAR]
    • Teses de Abril – [BAIXAR]
    • Um Passo em Frente Dois Passos Atrás – [BAIXAR]
    • Karl Marx – [BAIXAR]
    • A falência da II Internacional – [BAIXAR]
    • Uma Grande Iniciativa – [BAIXAR]
    • Mais obras de Vladimir Ilitch Lenine – marxists.org – [ACESSE]
    • Biblioteca PCB – [ACESSE]
    • Organização Regional de Lisboa do PCP – [ACESSE]
    • Marxist.org – [ACESSE]
    • Domínio Público – [ACESSE]
    • The Online Library of Liberty – [ACESSE]
    BOA PESQUISA .

    FONTE:http://unidadeclassistama.wordpress.com/biblioteca/
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sábado, 9 de abril de 2011

CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA DOUTRINA ECONÔMICA DE MARX

Conceitos fundamentais da doutrina econômica de Marx

Trabalho – É a ação do Homem sobre a natureza. Utilizando a força física, máquinas etc., o homem produz objetos para seu uso tais como: alimentos, roupa, móveis máquinas.

Meios de Trabalho – São os utensílios utilizados pelo homem para modificar a natureza: máquinas, equipamentos, ferramentas, etc.. Também são chamados de Instrumentos de Produção ou Instrumentos de Trabalho.

Objeto de Trabalho – São as matérias-primas que o homem utiliza para fazer os bens materiais: minérios, metais, madeira, algodão, lã, etc.

Meios de Produção – É o conjunto dos meios de trabalho e dos objetos de trabalho (terra, ferramentas, máquinas, matérias-primas, prédios, meios de transporte, etc.).

Força de Trabalho – É a capacidade física e intelectual que o homem possui para o trabalho.

Forças Produtivas – É o conjunto dos meios de produção com a força de trabalho.

Modo de Produção – É a maneira pela qual os homens se organizam para obter os bens matérias de que necessitam para viver. Todo o modo de produção engloba as Forças Produtivas e também as Relações Sociais de Produção. Ao longo da História existiram vários e diferentes Modos de Produção.

Relação Social de Produção – São as relações que se estabelecem entre os homens no processo produtivo. Estas relações se estabelecem entre os proprietários dos meios de produção e os trabalhadores ou produtores diretos.

Classe Social – Divisão da sociedade feita por critérios econômicos.

A Doutrina Econômica de Marx

[pág.14] “O objetivo final desta obra é descobrir a lei econômica do movimento da sociedade moderna” (prefácio a O Capital). O estudo das relações de produção de uma sociedade historicamente determinada e concreta no seu nascimento, desenvolvimento e declínio é o conteúdo da doutrina marxista. O que domina na sociedade capitalista é a produção de mercadorias (...).

O Valor

A mercadoria é, em primeiro lugar, uma coisa que satisfaz uma qualquer necessidade do homem; em segundo lugar, é coisa que se pode trocar por outra. A utilidade de uma coisa faz dela um valor de uso. O valor de troca (valor) é, em primeiro lugar, a relação, a proporção na troca de um certo número de valores de uso de uma espécie contra um certo número de valores de uso de outra espécie. (...) Através de trocas deste tipo se comparam incessantemente os valores de uso mais diversos e mais díspares. (...) O que elas têm de comum é serem produtos do trabalho. Trocando os seus produtos, os homens criam rtelações de equivalência entre os mais diferentes gêneros de trabalho. A produção das mercadorias é um sistema de relações sociais no qual os diversos produtores criam produtos vadiados (divisão social do trabalho) e em que todos estes produtos se equiparam uns aos outros na troca. Por conseguinte, o que é comum a todas as mercadorias (...) é (...) o trabalho humano abstrato, o trabalho humano em geral. Numa dada sociedade, toda a força de trabalho representada pela soma dos valores de todas as mercadorias constitui uma só e mesma força de trabalho humano (...). Cada mercadoria considerada isoladamente não representa portanto senão uma certa parte do tempo de trabalho socialmente necessário. A grandeza do valor é determinada pela quantidade de trabalho socialmente necessário ou pelo tempo socialmente necessário para a produção de determinada mercadoria, de determinado valor de uso. (...) O valor é uma relação entre duas pessoas escondida sob a envolvimento das coisas. Só partindo do sistema de relações sociais de produção de uma formação histórica determinada, ralações que se manifestam na troca, fenômeno generazado que se repete milhares de milhões de vezes, é que se pode compreender o que é o valor. “Como valores, todas as mercadorias são apenas quantidades determinadas de tempo de trabalho cristalizado.” (...)

[pág. 15] A principal tarefa que Marx se atribuiu é investigar a origem da forma dinheiro do valor, estudar o processo histórico do desenvolvimento da troca, começando pelos atos de troca particulares e fortuitos (...), para passar à forma geral do valor, quando várias mercadorias diferentes são trocadas por outra mercadoria determinada e concreta sempre a mesma, e acabar na forma dinheiro de valor, quando o ouro se torna esta mercadoria determinada, o equivalente geral. (...) O dinheiro encobre e dissimula o caráter social dos trabalhos parciais, a ligação social entre os diversos produtores unidos uns aos outros pelo mercado. (...) “O dinheiro supõe cerot nível de torca de mercadoria. As formas particulares do dinheiro, simples equivalente de mercadorias, meio de circulação, meio de pagamento, tesouro ou dinheiro universal, indicam, conforme o diferente alcance e a preponderância relativa de uma dessas funções, grau muito diversos do processo social de produção” (K. Marx,O Capital, tomo 1 Cap. IV).

A Mais-Valia

Num certo grau de desenvolvimento da produção de mercadorias, o dinheiro transformou-se em capital. A formula de circulação de mercadorias era: M (mercadoria) – D (dinheiro) – M (mercadoria), isto é, venda de uma mercadoria para compra de outra. Pelo contrário,a formula geral do capital é: D – M – D, isto é, compra para venda (com lucro). É este acréscimo do valor primitivo do dinheiro posto em circulação que Marx chama de mais-valia. (...) É precisamente este ‘acréscimo’ que transforma dinheiro em capital, ou seja, uma relação social de produção historicamente determinada.(...) Para obter a mais-valia ‘seria preciso que o possuidor do dinheiro descobrisse no mercado uma mercadoria cujo valor de uso fosse dotado da propriedade singular de ser fonte de valor (K. Marx, O Capital t.1, cap. IV), uma mercadoria cujo processo de consumo fosse, ao mesmo tempo, um processo de criação de valor. E esta mercadoria existe: é a força de trabalho humana. O uso é o trabalho, é o trabalho cria valor. O possuidor de dinheiro compra a força de trabalho pelo seu valor, que, como o de qualquer outra mercadoria, é determinado pelo tempo de trabalho socialmente necessário para a sua produção (isto é, pelo custo de manutenção do operário e de sua família).Tendo comprado a força de trabalho, o possuidor do dinheiro fica com o direito de consumir, isto é, de a obrigar a trabalhar durante um dia inteiro, suponhamos 12 horas. Mas em 6 horas (tempo de trabalho ‘necessário’), o operário cria um produto que cobre as despesas de sua manutenção, e durante as outras seis horas (tempo de trabalho ‘suplementar’), cria um ‘sobreproduto’ não retribuído pelo capitalista, que constitui a mais-valia. (...) Do ponto de vista do processo de produção é necessário distinguir duas partes do capital: o capital constante, investido nos meios de produção (máquinas, instrumentos de trabalho, matéria-prima, etc), cujo valor passa sem modificações (de uma só vez ou em partes) para o produto acabado, e o capital variável, que é investido para pagar a força de trabalho. O valor deste capital (...) aumente no processo de trabalho, criando mais-valia. Assim, para exprimir o grau de exploração da força de trabalho pelo capital temos de comparar a mais-valia não com o capital total, mas unicamente com o capital variado (taxa de mais-valia).

A condição histórica para aparecimento do capital reside, em primeiro lugar, na acumulação de uma certa soma de dinheiro nas mãos de certas pessoas num estágio de desenvolvimento da produção de mercadorias em geral já relativamente elevado; em segundo lugar, na existência de operários ‘livres’ sob dois aspectos – livres de quais quer entraves ou restrições para vender a sua força de trabalho, e livres por não terem terras nem meios de produção em geral -, de operários sem qualquer propriedade, de operários-‘proletários’ que não podem substituir senão vendendo a sua força de trabalho.

O aumento da mais-valia é possível graças a dois proce3ssos fundamentais: o prolongamento da jornada de trabalho (‘mais-valia absoluta’) e a redução do tempo de trabalho necessário (‘mais-valia relativa). Marx analisando o primeiro processo, traça um quadro grandioso da luta da classe operária pela redução da jornada de trabalho e da intervenção do poder de Estado primeiro para a prolongar (séculos XIV a XVII) e depois para diminuir (legislação fabril do século XIX).

Na sua análise da produção da mais-valia relativa, Marx estuda as três etapas históricas fundamentais no processo de intensificação da produtividade do trabalho pelo capitalismo: 1 – cooperação simples; 2 – s divisão do trabalho e a manufatura; 3 – as máquinas e a grande indústria.

(...) O importante em Marx é a análise da acumulação do capital, isto é, da transformação de uma parte da mais-valia em capital e do seu emprego não para satisfazer as necessidades pessoais ou os caprichos do capitalismo, mas para voltar a produzir.(...) A mais-valia se decompõe em meios de produção e em capital variável. O crescimento mais rápido da parte do capital constante (no montante total do capital) em relação à parte do capital variável tem, no processo de desenvolvimento do capitalismo e da sua transformação em socialismo, uma importância primordial.

Acelerando a substituição dos operários pelas máquinas e criando a riqueza num pólo e a miséria no outro, a acumulação do capital gera assim o chamado ‘exército de reserva do trabalho’, o ‘excedente relativo’ de operários ou ‘superpopulação capitalista’, que se reveste de formas extremamente variadas e dá ao capital a possibilidade de ampliar muito rapidamente a produção. Esta possibilidade, combinada com o crédito e a acumulação de capital em meios de produção, dá-nos, entre outras coisas, a explicação das crises de superprodução que aparecem periodicamente nos países capitalistas (...). Impõe-se a distinção entre a acumulação do capital na base do capitalismo e a chamada acumulação primitiva, quando se desapossa violentamente o trabalhador dos meios de produção, se expulsa o camponês das suas terras, se roubam as terras comunais, e imperam o sistema colonial e o sistema das dívidas públicas, as tarifas alfandegárias protecionistas, etc. A acumulação primitiva cria, num pólo o proletário ‘livre’, no outro, o detentor do dinheiro, o capitalista.

A ‘tendência histórica da acumulação capitalista’ é caracterizada por Marx nos seguintes termos ‘A expropriação dos produtores diretos faz-se com o vandalismo mais impiedoso e sob a pressão das paixões mais infames, mais ignóbeis, mesquinhas e odiosas. A propriedade privada, ganha com o trabalho pessoal’ (do camponês e do artesão), ‘e que o indivíduo livre criou, identificou-se de certo modo com os instrumentos e as condições do seu trabalho, é substituída pela propriedade privada capitalista que assenta na exploração do trabalho de outrem, o qual não tem mais que uma aparência de liberdade... O que se trata agora de expropriar não é já o operário que explora ele próprio a sua propriedade, mas o capitalista que explora numerosos operários. Esta expropriação efetua-se pelo jogo das leis imanentes da própria produção capitalista, pela centralização dos capitais. (...) Paralelamente a esta centralização, isto é, à expropriação de muitos capitalistas por alguns, desenvolve-se, numa escala cada vez maior e mais ampla, a forma cooperativa do processo de trabalho, desenvolve-se a aplicação da técnica consciente da ciência, a exploração sistemática do solo, a transformação dos meios de trabalho em meios que não podem ser utilizados senão em comum, a economia de todos os meios de produção pela sua utilização como meios de produção de um trabalho social combinado, a incorporação de todos os povos na rede do mercado mundial (...). À medida que diminui constantemente o número dos magnatas do capital (...), cresce no seu conjunto a miséria, a opressão, a escravidão, a degeneração, a exploração; mas também aumenta, ao mesmo tempo, a revolta da classe operária, que é instruída, unida e organizada pelo próprio mecanismo do processo de produção capitalista. (...)’ (K. Marx, O Capital, tomo I, Cap. XXIV)

Na análise feita por Marx no tomo II de O Capital da reprodução do capital social tomado no seu conjunto (...) ele considera não um fenômeno individual, mas um fenômeno geral, não uma fração da economia social, mas a economia na sua totalidade. Marx divide toda a produção social em 2 grandes seções : (I) produção de meios de produção e (II) produção de artigos de consumo; e examina (...) a circulação do capital social no seu conjunto, tanto na reprodução simples como na acumulação. No Tomo III de O Capital resolve-se, de acordo com a lei do valor, o problema da formação da taxa média de lucro.(...) Marx analisa primeiro a origem da mais-valia e passa em seguida à sua decomposição em lucro, juro e renda da terra. O lucro é a relação entre a mais-valia e o conjunto do capital investido numa empresa. O capital de ‘elevada composição orgânica’ (isto é, em que o capital constante ultrapassa o capital variável em proporção superior à média social) dá taxas de lucro inferior à média. O capital de ‘baixa composição orgânica’ dá taxas de lucro superior à média. A concorrência entre capitais, a sua livre passagem de um ramo para outro, reduzem, em ambos os casos, a taxa de lucro à taxa média. A soma dos valores de todas as mercadorias numa sociedade coincide com a soma dos preços das mercadorias, mas, em cada empresa e em cada ramo da produção tomado à parte, sob a influência da concorrência,as mercadorias são vendidas não pelo seu valor,mas pelo preço de produção, que é igual ao capital investido, mais o lucro médio.

(...) A diferença entre preço e o valor e a igualização do lucro (...) são perfeitamente explicáveis com base na lei do valor, porque a soma dos valores de todas as mercadorias coincidem com as soma dos seus preços. Mas a redução do valor (social) aos preços (individuais) não se dá de forma simples e direta; segue uma via muito complicada; é absolutamente natural que, numa sociedade de produtores de mercadorias dispersos, apenas ligados uns aos outros pelo mercado, as leis que regem essa sociedade não possam exprimir-se senão através de resultados médios (...).

O aumento da produtividade do trabalho significa um acréscimo mais rápido do capital constante em relação ao capital variável. Sendo a mais-valia função apenas do capital variável, compreende-se que a taxa de lucro (a relação entre mais-valia e todo o capital, e não apenas entre a mais-valia e a parte variável do capital) tenha tendência para baixar. (...) Sem nos determos na exposição dos interessantíssimos capítulos do tomo III, (...) abordaremos o essencial: a teoria da Renda da terra. Sendo a superfície do solo limitada e estando, nos países capitalistas, inteiramente ocupados por proprietários particulares, o custo de produção dos produtos da terra é determinado pelos gastos de produção, não nos terrenos de qualidade média, mas nos da pior qualidade, e pelas condições de transporte (não médias mas desfavoráveis) dos produtos para o mercado. A diferença entre este preço de produção num terreno de qualidade superior (ou em melhores condições) constitui a renda diferencial. Graças a uma análise pormenorizada desta renda, em que demonstra que ela provém da diferença da fertilidade dos terrenos e da diferença dos capitais investido na cultura, Marx põe em evidência o erro de Ricardo ao pretender que a renda diferencial só se obtém pela conversão gradual dos melhores terrenos em terrenos de qualidade inferior. Pelo contrário, transformações inversas produzem-se igualmente: terrenos de uma categoria transformam-se em terrenos de outra categoria (em virtude do progresso da técnica agrícola, dom crescimento das cidades, etc.) e a famosa ‘lei da fertilidade decrescente do solo’ é um profundo erro que atribui à natureza os defeitos, as limitações e as contradições do capitalismo. (...) A propriedade privada da terra cria um monopólio que é obstáculo (a liberdade de transferir o capital de um ramo para o outro. Devido a esse monopólio, os produtos de uma agricultura que se distingue por uma baixa composição orgânica do capital e que, por conseguinte, dá uma taxa de lucro individual mais elevada, não entram no livre jogo de igualização da taxa de lucro: o proprietário agrícola, que detém o monopólio da terra, pode manter o preço acima da média (renda absoluta). A renda diferencial não pode ser abolida em regime capitalista; mas, ao contrário, a renda absoluta pode sê-lo, com a nacionalização da terra quando esta passa a propriedade do Estado. Esta passagem da terra para o Estado significaria a superação do monopólio dos proprietários agrícolas, uma liberdade de concorrência mais conseqüente e mais completa na agricultura. É por isso (...) que os burgueses mais radicais (...) formulam esta reivindicação progressiva da nacionalização da terra que, todavia apavora a maior parte da burguesia, porque ‘toca’ de demasiado perto um outro monopólio que atualmente é muito mais importante e ‘sensível’: o monopólio dos meios de produção em geral. (Ao analisar historicamente a renda da terra) Marx demonstra a transformação da renda em trabalho – corvéia- (quando o camponês, trabalhando na terra do senhor, cria um sobreproduto) em renda em produto ou em espécie –talha- (quando o camponês cria na sua própria terra um sobreproduto que entrega ao proprietário em virtude de uma ‘coerção extra-econômica’), depois em renda em dinheiro (que é a renda em espécie transformada em dinheiro em virtude do desenvolvimento da produção mercantil) e, finalmente, em renda capitalista quando o camponês é substituído pelo empresário agrícola, que cultiva a terra com a ajuda do trabalho assalariado. Marx formula idéias profundas, ao analisar ‘a gênese da renda capitalista da terra’ (particularmente importantes para países atrasados), sobre a evolução do capitalismo na agricultura, ‘Com a transformação da renda em espécie em renda em dinheiro constitui-se necessariamente, ao mesmo tempo,e mesmo anteriormente, uma classe de jornaleiros não possuidores que trabalham a troco de um salário. Enquanto esta classe se constitui e enquanto se manifesta apenas esporadicamente, os camponeses abastados, sujeitos ao pagamento de uma renda, adquirem naturalmente o hábito de explorar por sua própria conta assalariados agrícolas, assim como no regime feudal os servos abastados tinham por sua vez outros servos ao seu serviço. Daqui resultou para eles a possibilidade de juntar, pouco a pouco, uma certa fortuna e de se transformarem em futuros capitalistas. Entre os antigos possuidores da terra que exploram independentemente, cria-se assim um viveiro de rendeiros capitalistas, cujo desenvolvimento é condicionado pelo desenvolvimento geral da produção capitalista fora da agricultura (K. Marx, O Capital, tomo III). ‘A exploração e a expulsão da aldeia de uma parte da população camponesa não só ‘libertam’ para o capital industrial os operários, os seus meios de subsistência e os seus instrumentos de trabalho, como lhe criam, além disso, o mercado interno’ (K. Marx, O Capital, tomo I, cap.XXIV). A pauperização e a ruína da população camponesa influem, por sua vez, na formação do exército de reserva do trabalho para o capital. Em todos os países capitalistas, ‘uma parte da população dos campos está constantemente em vias de transformar-se em população urbana (isto é, não agrícola). (...) Por conseguinte, o operário agrícola está reduzido ao mínimo de salário e tem sempre um pé no pântano do pauperismo’ (K. Marx, O Capital, tomo I, cap.XXIII). A propriedade privada do camponês da terra que ele próprio cultiva constitui a base da pequena produção, condição da sua prosperidade e do seu desenvolvimento na forma clássica. Mas esta pequena produção só é compatível com um quadro estreito, primitivo, da produção e da sociedade. Em regime capitalista, ‘a exploração dos camponeses só pela forma se distingue da exploração do proprietário industrial. O explorador é o mesmo: O capital. Os capitalistas tomados isoladamente ‘exploram os camponeses isoladamente3 pela hipoteca e pela usura. A classe capitalista explora a classe camponesa por meio dos impostos do Estado’ (K. Marx, As Lutas de Classe em França, cap. III). ‘A parcela do camponês já não é mais do que o pretexto que permite ao capitalista tirar da terra lucro, juro e renda e deixar ao próprio camponês a preocupação de arranjar como puder o seu salário’ (K. Marx, O 18 Brumário de Luiz Bonaparte, cap VII). Normalmente, o camponês entrega mesmo à sociedade capitalista, isto é, à classe capitalista, uma parte de seu salário e desce assim ‘ao nível do rendeiro irlandês, tudo sob a aparência de proprietário privado’ (K. Marx, As Lutas de Classe em França, cap. III) Qual é ‘uma das razões que fazem com que, nos países em que a propriedade parcelaria predomina, o preço do trigo seja menos elevado que nos países de modo de produção capitalista? (...) Este baixo preço (do trigo e dos outros produtos agrícolas) resultam, portanto, da pobreza dos produtores, e não da produtividade do seu trabalho’ (K. Marx, O Capital, tomo III). Em regime capitalista a pequena propriedade agrícola, forma normal da pequena produção degrada-se, é destruída e desaparece. ‘Pela sua natureza, a propriedade parcelaria é incompatível com o desenvolvimento das forças produtivas sociais do trabalho, as formas sociais do trabalho, a concentração social dos capitais, a criação de gado em grande escala, a utilização progressiva da ciência. A usura e o sistema fiscal arruínam-na necessariamente em toda a parte. O capital investido na compra da terra é subtraído ao cultivo’. (...) ‘Desperdício enorme de força humana. A deterioração progressiva das condições de produção e o encarecimento dos meios de produção são as leis necessárias da propriedade parcelária’ (K. Marx, O Capital, tomo III). ‘A disseminação dos operários agrícolas em grandes extensões quebra a sua força de resistência, enquanto a concentração aumenta a dos operários urbanos.(...) Todo o progresso da agricultura não é apenas um progresso da arte de esgotar o operário, mas também de esgotar o solo... A produção capitalista não desenvolve portanto a técnica e a combinação do processo social de produção senão desgastando, ao mesmo tempo, as forças da natureza: aterra e o operário, (K. Marx, O Capital, tomo I cap. 13).

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LENIN,V.I. Obras escolhidas, Ed. Alfa-Omega, 3ªedição, SP.,1986

sexta-feira, 8 de abril de 2011

ATO EM DEFESA DO MECANISMO DE PREVENÇÃO E COMBATE À TORTURA

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Na terça-feira, 12.04, às 15h, na escadaria da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, haverá uma concentração de todos aqueles que lutam pela aprovação do Projeto Resolução nº 83/2011 que cria os seis cargos do Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura para que este possa, efetivamente, funcionar.

Como há uma forte reação por parte de alguns deputados, é extremamente importante que todos os militantes sociais participem da sessão plenária da Alerj, efetivando a organização da sociedade contra a reiterada prática de tortura que permanece permeando nossa sociedade e se apresentando de forma ainda mais grave ao ser praticada por agentes do Estado em unidades de privação de liberdade. Os organizadores do ato lembram que é importante que todos compareçam de calça comprida, sapatos e levem documentos para que possam entrar no plenário.

Comitê Estadual para a Prevenção e o Combate à Tortura e do Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura

O estado do Rio de Janeiro foi pioneiro na implantação do Comitê Estadual para a Prevenção e o Combate à Tortura e do Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura, que consistem em ferramentas para o enfrentamento às violações dos direitos humanos das pessoas sujeitas à privação de liberdade, seja no sistema prisional, sócio-educativo, manicômios judiciários e outras instituições totais.

A lei Estadual 5778/10, que os institui, foi sancionada em 30 de junho de 2010. No dia 11 de Novembro de 2010 foi publicado o edital que dispunha sobre o processo de seleção dos membros do Mecanismo, cuja eleição foi realizada pelo Comitê de Prevenção à Tortura no dia 09 de dezembro do mesmo ano. O edital previa a posse dos membros no dia 7 de fevereiro de 2011, o que, no entanto, não ocorreu. Para a surpresa de todos, em 16 de Março de 2011, ao ser apresentado o Projeto Resolução nº 83/2011 que cria os seis cargos do Mecanismo, alguns deputados membros da Mesa Diretora da ALERJ questionaram o projeto, o que voltou a ocorrer na reunião do dia 31 de Março de 2011. Após o debate, foi aprovado o encaminhamento do Projeto de Resolução nº 83/2011 à plenária da ALERJ, quando será colocado em votação.



PLENÁRIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS

PCB E PCPE CONDENAM AÇÃO IMPERIALISTA NA LÍBIA

imagemCrédito: PCB


O dirigente do PCB Sidney Moura (membro da Comissão Política Nacional do Partido) foi recebido em Madrid, na sede regional do Comitê Central do PCPE (Partido Comunista dos Povos de Espanha) pelo dirigente espanhol, camarada Victor Lucas.

Na oportunidade, trocaram impressões sobre a conjuntura internacional, particularmente sobre a agressão imperialista à Líbia, além da situação política e econômica mundial, e as especificidades destas na Espanha e no Brasil, com coincidentes pontos de vista. Foi reiterada a necessidade de reaglutinação do Movimento Comunista Internacional (MCI), baseada nos princípios leninistas e o estreitamento das relações entre ambas organizações.

Em seguida, o camarada Sidney foi convidado a participar da manifestação diante da sede do Ministério das Relações Exteriores a favor da autodeterminação dos povos e contra a participação da Espanha na coalizão imperialista que desenvolve ações belicistas contra o povo líbio.

À todos/as que partiram sem poder dizer adeus

Caio N. de Toledo*

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Há 47 anos – na data em que o imaginário popular consagra como o “dia da mentira” – era rompida a legalidade democrática implantada no Brasil com o fim da ditadura do Estado Novo (1937-1945). Nestes dias, apenas os falcões da ultradireita brasileira talvez se atreverão a lembrar ou comemorar publicamente o 1º. de abril de 1964; civis e militares que o fizerem, em bizarros cenários, serão uma inexpressiva minoria. Hoje, a quase totalidade das entidades que conspirou, apoiou e promoveu a derrubada do governo democrático de João Goulart (1961-1964), não festejará o golpe civil-militar de 1964. A este respeito, tome-se o exemplo dos grandes meios de comunicação; nestes dias, ao contrário do que fizeram durante quase duas décadas, deixarão eles de divulgar editoriais e artigos que exaltem os “feitos” do regime militar.* A explicação é uma só: no Brasil contemporâneo, todos se afirmam “amigos” ou amantes da democracia...

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Diante da recorrente questão “Golpe” ou “Revolução”, deveríamos lembrar as palavras de um ativo protagonista do movimento de abril. Em celebrado depoimento (1981), , Ernesto Geisel declarou: “o que houve em 1964 não foi uma revolução. As revoluções se fazem por uma idéia, em favor de uma doutrina”. Para o vitorioso de 1964, o movimento se fez “contra Goulart”, “contra a corrupção”, “contra a baderna e a anarquia que destruíam o país”.

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As palavras do militar golpista – pertinentes, pois rejeitam a noção de “Revolução” para caracterizar o 1º. de abril de 1964 –, no entanto, podem ser objeto de uma outra leitura. Neste sentido, é possível – a partir de uma outra perspectiva teórica – ressignificar todos os “contras” presentes no depoimento do ex-ditador. Mais correto é então afirmar que 1964 representou: (a) um golpe contra a incipiente democracia política brasileira; (b) um movimento contra as reformas sociais e políticas e (c) uma ação repressiva contra a politização dos trabalhadores e o promissor debate de idéias que, de norte a sul, ocorria do país.

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Em síntese, no pré-1964, as classes dominantes e seus aparelhos ideológicos e repressivos – diante das iniciativas e reivindicações dos trabalhadores no campo e na cidade e de setores das camadas médias – apenas enxergavam “crise de autoridade”, “subversão da lei e da ordem”, “quebra da disciplina e hierarquia” dentro das Forças Armadas e a “comunização” do país que, no limite, implicariam a “dissolução da família” e o “fim propriedade privada”. Embora, por vezes, expressas numa retórica “radical” – reformas na “lei ou na marra”, “forca aos gorilas” etc. –, as demandas por reformas sociais e as consignas políticas visavam, fundamentalmente, o alargamento da democracia política e a realização de mudanças no capitalismo brasileiro.

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Contra algumas formulações “revisionistas” – presentes no atual debate político e ideológico (inclusive nos campos da literatura política e historiografia progressistas) – que insinuam “tendências golpistas” por parte do governo Goulart, deve-se enfatizar que quem planejou, articulou e desencadeou o golpe contra a democracia política foi a alta hierarquia das Forças Armadas, incentivada e respaldada pelo empresariado (industrial, rural, financeiro e investidores estrangeiros) bem como por setores das classe médias brasileiras (as chamadas “vivandeiras de quartel”). Bem antes da chamada “agitação das esquerdas”, alguns desses setores começaram a se organizar para inviabilizar o governo Goulart; a mobilização pelas reformas sociais e políticas – apoiada pelo executivo – ampliou a conspiração e amadureceu a decisão dos golpistas de decretar o fim do regime democrático de 1946.

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Destruindo as organizações políticas e reprimindo os movimentos sociais de esquerda e progressistas, a ação dos golpistas foi saudada pelas associações representativas do conjunto das classes dominantes, pela alta cúpula da Igreja católica, pelos grandes meios de comunicação etc. como uma autêntica “Revolução”. Por sua vez, a administração norte-americana de Lyndon Johnson (1963-1969) – que foi poupada de dar apoio material aos golpistas, como está comprovado documentalmente –, congratulou-se com os militares e civis brasileiros pela rapidez e eficácia da “ação revolucionária”. Para alívio do Pentágono, CIA, Embaixada norte-americana etc uma “nova Cuba” ao sul do Equador tinha sido impedida!

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Embora tivesse uma simpática acolhida junto aos trabalhadores, às classes médias baixas e aos meios sindicais, o governo João Goulart ruiu como um castelo de areia. Dois de seus principais pilares de apoio – como apregoavam os setores nacionalistas – mostraram ser autênticas peças de ficção. De um lado, o propalado “dispositivo militar” que seria comandado pelos chamados “generais do povo”; de outro, o chamado “quarto poder” que estaria representado pelo Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). A rigor, ambos assistiram – sem qualquer reação significativa ou eficaz – a queda inglória de um governo a quem juravam fidelidade; inclusive, diziam os mais “radicais”, com o peço da própria vida.

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Desorganizadas e fragmentadas, as entidades progressistas e de esquerda – muitas delas subordinadas ou tuteladas pelo governo Goulart – não ofereceram qualquer resistência à ação dos militares. Sabe-se que, às vésperas de abril, algumas lideranças de esquerda afirmavam que os golpistas – caso atrevessem quebrar a ordem constitucional – teriam as “cabeças cortadas”. Mostraram os duros fatos que se tratava de uma cortante metáfora. Com a ação dos “vitoriosos de abril”, esta expressão, no entanto, tornou-se uma aguda e cruel realidade para muitos homens e mulheres durante os longos e sombrios 20 anos da ditadura militar.

46 anos depois, nada há, pois, a comemorar. O golpe de 1964 foi um infausto acontecimento pois teve conseqüências perversas e nefastas no processo de desenvolvimento econômico, político e cultural do Brasil – que ainda se refletem nos tempos presentes. Decorridos 46 anos do golpe, o conjunto da sociedade brasileira repudia a data, mas os progressistas e socialistas não podem se satisfazer com a derrota sofrida pelos golpistas no plano ideológico. Se os valores da democracia atualmente são diuturnamente exaltados no debate político e cultural, os progressistas e os socialistas não podem se calar diante do fato de que o regime democrático vigente nos pós-1985 ainda não fez plena justiça às vítimas da ditadura militar e ainda todos aguardamos que a verdade sobre os fatos ocorridos entre 1964 e 1985 seja plenamente conhecida. Sendo o “direito à justiça” e o “direito à verdade” condições e dimensões relevantes de um regime democrático, não se pode senão concluir que a democracia política no Brasil contemporâneo não é ainda uma realidade sólida e consistente.

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C. de Toledo

FONTE: PCB

quinta-feira, 7 de abril de 2011

PRIVATIZAR FAZ MAL À SAÚDE! PELO CONTROLE POPULAR DA SAÚDE PÚBLICA ESTATAL!



O PT e os partidos aliados que compõem sua base governista (PMDB, PCdoB entre outros) que estavam com LULA e, hoje, com DILMA, assim como a oposição de direita do PSDB e DEM, conseguiram afinar seus discursos para atacar e destruir os serviços públicos. Na verdade, esses partidos são os principais responsáveis pelo abandono, descaso e entrega dos serviços públicos e seu patrimônio para empresas e grupos privados.

O dinheiro público que deveria ser investido diretamente na saúde está sendo sugado por entidades, ditas sem fins lucrativos, denominadas como Organizações Sociais (OS), Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), Fundações Estatais de Direito Privado e Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, cuja natureza é a mesma: mascarar o processo de privatização e precarização dos serviços públicos que estão em curso no país. Essas organizações possuem engenhosa estrutura jurídica e empresarial que lhes garantem, inclusive, não prestar contas de seus gastos aos tribunais de contas e de dispensar licitações, tornando os serviços públicos um grande balcão de negócios, que beneficia os esquemas de financiamento de campanhas e as máfias da saúde. Isso já ocorre no Estado do Rio de Janeiro com o governo SÉRGIO CABRAL (PMDB, PT, PCdoB entre outros) e em boa parte das prefeituras que buscam, com a privatização, se livrar da responsabilidade de gerir e custear a saúde e demais serviços públicos para a população. Os ataques contra o SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) não param por aqui: na Cidade de São Paulo, por exemplo, vigora desde o início do ano uma lei que reserva 25% dos leitos e serviços para os planos de saúde privados.

PARA OS USUÁRIOS E TRABALHADORES DO SUS, A PRIVATIZAÇÃO SÓ TRAZ PERDAS!

O acordo firmado pelo governo com essas organizações considera o que for conveniente e lucrativo para ambos, contra as necessidades do povo, sem garantias da prestação dos serviços de saúde para quem mais precisa das diferentes modalidades de atendimento. O objetivo é o lucro e a piora na qualidade dos serviços, com metas de atendimento com a redução do tempo das consultas.

Com os trabalhadores de saúde terceirizados, há constantes mudanças e falta de profissionais, o que prejudica a continuidade dos tratamentos dos pacientes. Além disso, esses trabalhadores são desrespeitados com baixos salários e desrespeito às leis trabalhistas, além do assédio moral e da pressão que sofrem para não denunciar as irregularidades que passaram a ocorrer nas unidades, após as privatizações.

Desrespeitar direitos sociais e tratar os serviços públicos como mercadoria é próprio do sistema capitalista. A saúde e o bem-estar dos trabalhadores jamais serão prioridades para os governos serviçais do capital. Somente com forte pressão popular nas ruas é que deteremos esse perverso modelo de privatização e conquistaremos a qualidade dos serviços públicos que, para a classe trabalhadora, é uma questão de sobrevivência.

O PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB) se une aos movimentos e entidades populares que constroem nos Estados, importantes instrumentos de luta como os FÓRUNS POPULARES DE SAÚDE e a combativa FRENTE NACIONAL CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA SAÚDE.

O PCB é contra qualquer forma de privatização e luta para que as empresas e os serviços públicos sejam estatais para que os próprios trabalhadores exerçam, de fato, seu controle e atendam suas necessidades. Isso exige uma unidade de ação para a defesa do SUS e para que se desenhe, no horizonte a construção de uma FRENTE ANTI-CAPITALISTA E ANTIIMPERIALISTA visando à superação do sistema capitalista e a CONSTRUÇÃO DO SOCIALISMO.



Abaixo as privatizações!

Em defesa do SUS e pela saúde plena para todos!

Pela estatização de todos os serviços públicos, com controle popular!

AVANCEMOS RUMO AO SOCIALISMO!



PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO - PCB/RJ

Rio de Janeiro, abril de 2011

quinta-feira, 31 de março de 2011

Dia Mundial da Saúde será o lançamento do Fórum contra a privatização do Sistema Único de Saúde no município.



A Frente de Unidade Popular (FUPO) convida toda a população de Campos e região para participar no dia 07 de Abril(Dia Mundial da Saúde) do lançamento do Fórum contra a privatização do Sistema Único de Saúde no município.
Será realizada dois eventos, o primeiro um ato público neste dia com a participação de partidos políticos de esquerda (PCB, núcleo PSOL Campos e PSTU), usuários, sindicatos, servidores, estudantes da área da saúde, profissionais da saúde e a população Campista no calçadão ás 16:00 horas.

As 19:00 horas, será realizado um seminário e lançamento do fórum de combate a privatização do SUS em Campos dos Goytacazes no auditório da UFF(Universidade Federal Fluminense)

A solução está na gestão pública e no controle democrático do SUS, verbas suficientes, transparência na aplicação dos recursos, combate à corrupção, realização de concursos públicos, PCCS, melhora das condições de trabalho e capacitação permanente dos profissionais, compra de medicamentos equipamentos que ofereçam condições dignas de atendimento.

A privatização não resolverá o problema da saúde, ao contrário, vai piorar ainda mais, pois é uma porta de entrada para a corrupção e mau uso dos recursos públicos.

É fundamental a participação de todos e principalmente estudantes e profissionais da área da saúde.

´´Não precisamos de muita coisa, só precisamos uns dos outros``(Carlito Maia)



No dia mundial da saúde, todos
para a rua contra a privatização!!!

sexta-feira, 25 de março de 2011

89 ANOS DO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO

O PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO COMEMORA 89 ANOS DE LUTA.


A trajetória do Partido Comunista Brasileiro (PCB), fundado em 25 de março de 1922,
é parte constitutiva da história do Brasil. Se, na sua gênese, convergiram os ideais
libertários do nascente proletariado, no seu desenvolvimento e consolidação foram
sintetizados os processos de maturação de uma organização política que buscava (e
ainda busca até hoje) conjugar em suas fileiras os mais destacados dirigentes das
lutas dos trabalhadores e representantes da intelectualidade e da cultura brasileira.

Quando se tornou um verdadeiro partido de dimensões nacionais, no imediato pósguerra,
o PCB revelou-se como a instância de universalização de uma vontade política
que fundia o mundo do trabalho com o mundo cultural. Intelectuais do porte de
Astrojildo Pereira (um de seus fundadores), Caio Prado Jr., Graciliano Ramos e Mário
Schenberg, entre outros, vinculavam-se a projetos e perspectivas que tinham nas
camadas proletárias o sujeito real da intervenção social.

Se a história do PCB foi marcada por uma sistemática repressão, que o compeliu à
clandestinidade por mais da metade de sua existência e que entregou ao povo
brasileiro boa parte de seus maiores heróis do século XX, nem por isto o PCB foi um
partido marginal. Ao contrário: da década de 1920 aos dias atuais, os comunistas, com
seus acertos e erros, mas especialmente com sua profunda ligação aos interesses
históricos das massas trabalhadoras brasileiras, participaram ativamente da dinâmica
social, política e cultural do país. Por isso mesmo, resgatar a história do PCB é
recuperar a memória de um Brasil insurgente, ao mesmo tempo premido pelas
imposições do modo de produção capitalista e do imperialismo, para comprovar que só
pode fazer futuro quem tem lastro no passado.

Os primeiros anos, que vão da fundação do Partido a 1930, assinalam o esforço de
criar no país uma cultura socialista e um modo proletário de fazer política. Recorde-se
que, ao contrário de outros países, o Brasil não teve, antes de 1922, qualquer
experiência partidária anticapitalista de alguma significância (exceção feita à pioneira
ação dos anarquistas, cujo protagonismo esgotou-se com a greve geral de 1917 e a
algumas tentativas malogradas de se constituir no Brasil um partido de matiz
operária).

Nestes anos, realizando três congressos (o de fundação, em 1922, e os de 1925 e
1928/29) e já operando na clandestinidade, o PCB dá conta da sua dupla tarefa: de
um lado, traduz e divulga o Manifesto do Partido Comunista e lança o jornal A Classe
Operária, buscando divulgar as teses marxistas junto ao operariado. De outro,
dinamiza o movimento sindical com uma perspectiva classista e independente
inserindo-se no cenário da política institucional, através do Bloco Operário Camponês.

Em 1930, reconhecido pela Internacional Comunista e tendo criado a sua Juventude
Comunista, o PCB já multiplicava por quinze os 73 militantes que se integraram ao
Partido em 1922. A década de trinta marca dois movimentos na trajetória do PCB: o
primeiro, até 1935, de afirmação política; o segundo, até 1942, de refluxo - ambos
compreensíveis na conjuntura das transformações que a sociedade brasileira vivia com
a chamada Revolução de 1930, que pôs fim à Primeira República e abriu caminho para
a era Vargas.


No XIV Congresso, realizado em outubro de 2009 no Rio, comprova-se o acerto no
trabalho de reinserção do PCB no movimento comunista internacional e de
solidariedade militante aos partidos, movimentos e governos que avançam na luta
anticapitalista e anti-imperialista em todo o mundo. Verificou-se a forte presença de
convidados estrangeiros ao Congresso, através das delegações dos Partidos
Comunistas Cubano, Grego, da Alemanha, dos Povos da Espanha, dos Mexicanos,
Libanês, Colombiano, da Venezuela, da Bolívia, do Chile, Peruano, Paraguaio,
Argentino, do Polo do Renascimento Comunista Francês, da Frente Popular de
Libertação da Palestina, da Coordenadora Continental Bolivariana, do Partido
Comunista do Vietnã e do Partido do Trabalho da Coréia.

Também compareceram, como convidados, companheiros do PSOL, do PSTU, do PDT,
do PH, da Consulta Popular, do MST, do PCR, da Intersindical, da CUT, da Refundação
Comunista, do CECAC, de entidades de solidariedade internacionalista e da nossa
querida União da Juventude Comunista, demonstrando o crescimento do trabalho do
PCB no interior dos movimentos sociais e políticos no Brasil.

No XIV Congresso, o PCB afirma que o Brasil já cumpriu o ciclo burguês, tornando-se
uma formação social capitalista desenvolvida, terreno propício para a luta de classes
aberta entre a burguesia e o proletariado. E assevera que o cenário da luta de classes
mundial e suas manifestações no continente latino-americano, o caráter do capitalismo
monopolista brasileiro e sua profunda articulação com o sistema imperialista mundial,

a hegemonia conservadora, os resultados deste domínio sobre os trabalhadores e as
massas populares no sentido de precarização da qualidade de vida, desemprego,
crescente concentração da riqueza e flexibilização de direitos levam a reafirmar que o
caráter da luta de classes no Brasil inscreve a necessidade de uma ESTRATÉGIA
SOCIALISTA.

Para tanto, propõe a formação de uma frente política permanente de caráter
anticapitalista e anti-imperialista, que não se confunda com mera coligação
eleitoral, na perspectiva da constituição do Bloco Revolucionário do Proletariado
como um movimento rumo ao socialismo.

Às vésperas de completar 90 anos de existência, o Partido Comunista Brasileiro,
fortalecido nas tradições e na luta dos comunistas em todo o mundo, reafirma a
necessidade histórica de superação do capitalismo, que se dará apenas pela libertação
das classes trabalhadoras, na perspectiva do socialismo rumo à sociedade comunista.